Quando olho para trás, penso no porque de não ter dado
ouvidos àqueles que me diziam para não ter pressa de crescer, pois era a melhor
fase da vida. E hoje sou eu que dou esse conselho e eles não me dão ouvidos.
Não posso reclamar, eu fiz o mesmo e todos nós, certo? E não se trata de uma
frase cliché que pertence aos adultos, mas sim um conselho bem sábio.
Quando somos crianças temos pressa de nos tornarmos
independentes, de sermos adultos porque nos parece que somos donos da nossa
própria vida, que podemos fazer o que quisermos sem dar satisfações a ninguém.
Quando crianças, o mundo dos adultos parece-nos um conto de fadas.
Nem aproveitamos o momento como deve ser, porque ansiamos
um futuro que nos parece melhor. Acreditem que a melhor fase das nossas vidas é
mesmo essa, a fase da inocência, em que não temos maldade no coração, onde a
rotina da escola que muitos reclamam e dizem não gostar, vão sentir saudades de
essa ser a vossa única responsabilidade e saudades dessa rotina.
A vida adulta é muito chata. Não, não somos donos da nossa
própria vida como seria suposto. Existem pessoas a falar da tua vida, como se
fosse delas ou pior, como se as delas fossem exemplo para alguém. E quando
vives com os teus pais é a eles que deves satisfações da tua vida, simplesmente
porque estás debaixo do teto deles. Se namoras, juntas ou casas tens
justificações a dar ao teu parceiro. E se tens filhos, não podes fazer aquilo
que te apetecer pois servirão de exemplo para eles, a menos que não te preocupa
o que eles serão, mas isso são outros quinhentos.
Ser adulto é ter sempre teres uma infinidade de dedos
apontados para ti, porque fizeste aquilo, porque comeste isto, porque te vestes
assim, porque tens um perfume xpto, porque compraste uma raspadinha e saiu
dinheiro, porque andas com fulano. Enfim, a tua vida passa a ser como uma
atuação onde tens um júri imenso que está ali para criticar tudo o que fazes e
não fazes e cada passo que dás.
A tua vida passa a ser um mar imenso de preocupações.
Preocupação em ter um emprego que sustente o teto onde moras, que pague as tuas
contas. Uma preocupação com o ter tudo em dia, principalmente quando temos
alguém a nosso cargo. Preocupação com
impostos, finanças, segurança social. Preocupação com os nossos deveres
cÃvicos.
E os desgostos do coração? Dão uma saudade de quando as
nossas dores eram um joelho esmurrado. Para não esquecer que a mente do adulto
se torna perverso, que nos nossos corações passa a existir maldade, embora
ainda haja muitas pessoas que não as praticam. Mas aquela inocência que não nos
permite enxergar o mal em ninguém, faz-nos estar sempre de pé atrás.
Felizmente, ainda vive uma criança dentro de mim, capaz de
brincar até com as coisas mais parvas e triviais. Ainda possuo uma certa
inocência que me faz acreditar no lado bom de toda a gente. Dou tudo de mim,
até a roupa do corpo se for preciso e 80% das vezes, só recebo ingratidão, sou
magoada e pisada sem dó. Mas mesmo assim, não viro as costas a essa pessoa. A
minha mãe costuma dizer que como sou, julgo toda a gente por igual e lá lhe
digo que prefiro ser assim, do que ter maldade no meu coração.
Então crianças, só vos quero dizer que não tenham pressa.
Aproveitem quando as vossas preocupações são joelhos esmurrados, a escola, o
ter de viver sobre as ordens dos pais. Porque há tempo para tudo e para ser
adulto, que será a vossa fase até ao fim da vida. Vão haver muitas saudades de
quando eram crianças, mas não terá retorno. Um feliz dia das crianças,
beijinho.