Não me julguem, mas eu achava que depressão era uma manha, que muitos se aproveitavam disso para incutir pena por eles mesmos e também nos outros por eles. E sejamos realistas, há mesmo quem se aproveite disso. Mas, recentemente, a vida ensinou-me que como em tudo na vida, há casos e casos. Não, não é só porque é a minha mãe a ter depressão que me fez ver com outros olhos, mas sim, o facto de a viver mais de perto.
A depressão não é uma coisa que dói apenas a quem a tem, mas a quem vive perto também. E muito, que por muito que qu0eiramos ajudar, não está ao nosso alcance. Por isso, sofre a minha mãe que está em tratamento num hospital psiquiátrico. Sofro eu, sofre o meu irmão, sofre o meu pai e sofre o meu cão, que está sem ver os donos à algum tempo.
A médica de família já tinha detetado depressão na minha mãe, mas ela nunca foi medicada, nem tratada. O que fez com que fosse piorando até chegar ao ponto de chorar sem motivo, desejar morrer sem entender a sua razão no mundo, achar que ninguém gosta dela, agredir-se a ela própria e tentar o suícidio.
Tudo coisas que a magoam a ela e a quem a rodeia, principalmente nós, a família. E assim fui vivendo de perto o desgaste psicológico que acaba por interferir com o físico da minha mãe. Antes de escrever este post, fui à procura de testemunhos de quem viveu e vive a depressão, porque é uma doença que se pode tratar, mas não curar de vez. Nesses testemunhos - li vários, acreditem - vi que todos os casos são diferentes, cada um com os seus motivos, alguns até sem motivo aparente, mas todos com a mesma finalidade: tentativa de suícidio.
Então, agora vejo esta doença com outros olhos. Olhos de quem vê que esta doença apenas traz o sofrimento, sofrimento de quem a tem e sofrimento de quem está por perto. Desta história da minha mãe, dou-vos um conselho, se sentirem que esta doença vos está a começar procurem ajuda, tomem os medicamentos, façam tratamento, façam tudo para vos salvarem e evitarem o sofrimento de quem vos ama.
Acredito, tenho fé, que a minha mãe vai curar-se muito em breve. Que vamos voltar a estar os cinco juntos e felizes! E para acabar este post, deixo-vos os sinais da doença para que possam identificar se chegar até vocês:
- estado de humor persistentemente triste, ansioso e/ou vazio;
- falta de interesse em atividades que antes eram agradáveis, incluindo relações sexuais;
- um cansaço invulgar, sem energia e sensação de lentidão;
- perda de apetite, perda de peso ou ao contrário, excesso de apetite e aumento de peso;
- perturbações do sono e insónias, acordar demasiado cedo ou dormir demais;
- perda de expressão emocional;
- sentimentos de desespero, pessimismo, culpa, inutilidade e desesperança;
- isolamento;
- dificuldade de concentração, memorização ou tomadas de decisão;
- inquietação ou irritação excessiva;
- dor de cabeça persistente e problemas digestivos crónicos;
- dor que não se associa a nada;
- pensamentos relacionados com a morte, ideias e tentativas de suícidio e auto agressão.