Grito

By Daniela Silva - novembro 28, 2016


O metro a ranger nos carris da vontade de não andar.
As pessoas que entram e saem com comando à distância, controladas pelos brinquedos que não lhes oferecem no Natal. Os bancos presos ao desejo de dormir devagar. Os empregos impacientes para que lhes abram as persianas do engano. Os telemóveis carentes de afetos de dedos e unhas de gel. Os olhos que piscam e pesam em balanças leves as últimas gramas de sono. A mistura de perfumes oferecidos nos anos e um odor forte a desagrado.
Os carros que imitam os donos e seguem colados por um metro de intervalo. As buzinas que tossem, engasgadas pelo cinzento do fumo.
O semáforo que tem um amarelo para nos puxar a toque de caixa.
Os dias que se colam uns aos outros, sem espaço para respirar a vida que não deixamos vidar!

Rolando Silva

Este texto é do irmão de um amigo, espero que gostem dele, assim como eu. Boa semana!

  • Share:

You Might Also Like

12 comentários

  1. Respostas
    1. Também gosto, particularmente das metáforas :)

      Eliminar
  2. Que texto bem escrito! Quando escreve também são coisas deste género :)
    Gostei muito!
    Kiss, Mariana Dezolt
    Messy Hair, Don’t Care

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também me identifico com a escrita dele :)

      Eliminar
  3. Um texto que retrata tão bem um dia banal!
    xoxo
    theownerofsushi.blogspot.pt

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, só os mais atentos percebem isso :)

      Eliminar
  4. Gostei bastante do texto!
    Beijinhos*

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tenho mais alguns textos dele para partilhar :)

      Eliminar
  5. A humildade Quando Tem Voz,derrete-se em forma de escrita.
    BEIJINHOS DANIELA.

    ResponderEliminar